"É necessário morrer várias vezes, na mesma vida, para recomeçar"
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
O cão
Companheiro, mas nem sempre comportado. Ele dificilmente anda ao lado, gosta mais de correr e por isso está sempre carregando o seu dono. Coitado do braço desse dono.
Companheiro sim, mas também um ótimo comedor, só que, de tudo. Comeu as meias, o sofá, a beira do armário, de roupas e da cozinha. Coitado dos móveis desse dono.
Companheiro, mas brincalhão demais. Seu dono chega em casa cansado depois de um dia de trabalho, mas ele nem liga, pula na sua blusa e quer brincar. Assim também com as crianças vizinhas, que sempre saem chorando, com medo de seu grande tamanho. Coitado dos ouvidos desse dono.
Companheiro sim, até quando faz o que não deve fazer. E sortudo é esse dono, que tem um cão que parece acalentá-lo nos dias tristes.
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Desânimo
Vai embora! Não sei porquê me persegue com tanta crueldade.
Vai embora! Ontem você já me visitou e levou todas as minhas forças.
Vai embora! Preciso reagir às suas ciladas mas não sei por onde começar.
Vai embora! O seu gosto é amargo como o passar das horas vazias.
Vai embora! Quero minha rotina saudável de volta aos meus dias.
Vai embora! Meus amigos e minha família querem minha presença, mas você continua a me deixar prisioneiro.
Vai embora! Quero estudar, quero trabalhar, quero passear, mas não consigo reagir.
Livre um dia quero estar do desânimo.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
O gato
Ele rei soberano na casa. Em todos os cantos ele se achega e se esparrama. De tanto faturar tudo o que cai da mesa de jantar, está roliço e pesado. Na luz do sol ele brilha com seu pêlo dourado. Suas garras são afiadas e lixadas, na medida certa, pelos passeios no quintal.
Não tem passarinho que resista aos seus botes. Ratos nem perto chegam. A comida é sempre de boa marca, mas tem um dia ainda mais especial, em que a comida parece ter acabado de sair do forno. Molhadinha e cheirando à comida fresca. E por sorte ele não pertence a uma senhora rica, por isso não precisa ferir sua masculinidade com roupinhas e gravatinhas.
Mas um dia... alguém chegou. Era pequeno, era outro da sua espécie. Mas apesar de pequeno o outro da sua espécie parecia pronto para atacar. Era branco e magrelinho, mas não se importava quando comia da sua comida. Era hora de marcar território e mostrar quem mandava.
Mas não adiantou... o que menos esperava aconteceu. Tornaram-se amigos. Amigos de lambidas, de brincadeiras, de dividir a comida. Como irmãos.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
A praia
A areia está clara como sempre, macia e gostosa de sentir. Os meus pés quando à tocam se sentem livres como os pássaros no céu. O sol intenso faz a areia brilhar como uma rainha.
O mar está limpo como nos meus sonhos. As ondas vêm de forma suave, como se quisesse a minha presença. A água está salgada na medida certa.
O sol está me abraçando. Seus raios tocam o meu corpo e eu sinto ele me acalentar. Sem ele eu não estaria aqui, sem ele este lugar é sem graça.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
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